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A autoimagem na gravidez


  • 27 Jul, 2018

Um dos aspectos mais difíceis e atribulados da gravidez é a adaptação da gestante a o que as mulheres acostumaram nomear como um ‘novo corpo’. Segundo Jung, o corpo é essencial para o processo de tomada de consciência. É o portador de imagens que fundamentam nossa identidade e são nosso meio de relação com o mundo, desde o primeiríssimo instante.

Portanto, o corpo e a psique são prerrogativas indissociáveis para o processo de individuação, que é a maneira pela qual algo se distingue de outras coisas.

A gravidez é, justamente, o processo de criação e formação de um outro corpo, inerente e, ao menos em um período, indissociável do corpo da mãe. Após o nascimento, os dois corpos ainda levam tempo para ‘entender’ que não são uma fusão.

É intenso e extremamente delicado o processo da gestação, que coloca a mulher sujeita a inúmeras alterações físicas, hormonais, psíquicas e sociais, o que pode refletir diretamente em sua saúde mental. O medo de ganhar peso, a insegurança e preocupações relacionadas ao corpo colocam em cheque o padrão da magreza como símbolo da feminilidade moderna.

Hábitos inadequados ligados a imagem corporal podem prejudicar severamente o desenvolvimento do bebê e a saúde materna. Algumas estimativas apontam prevalência de transtornos alimentares em 1% na gravidez. E isso não é pouco. Pode-se tratar de uma parcela de mulheres que oscila entre episódios de compulsão alimentar ou a prática de exercícios que previnam o ganho de peso.

O comportamento alimentar das gestantes deve responder aos anseios de saúde, profundamente conectados com o processo de tornar-se mãe e as diversas camadas de maturação que esse processo vai exigir. Orientação profissional, muito carinho e uma boa dose de autoconhecimento também são vitais para mamãe e bebê