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Cama compartilhada



  • 18 Jun, 2018

Praticidade é o primeiro apelo que leva o filho à cama dos pais, mas todos eles se perguntam: será que devemos obedecer a este apelo tão simplista?

Muitos concordam que a reflexão e organização para criar um ambiente seguro e apropriado para isso é válida. Os bebês dependem de estímulos sensoriais maternos para se desenvolver e esperam, biologicamente projetados para tal, que estejam sempre em contato com a alguém.

Ainda assim, órgãos ligados à academia e à pediatria no mundo inteiro reiteram continuamente o risco de morte súbita do recém-nascido. A Sociedade Brasileira de Pediatria é taxativa na contraindicação, em todas as fases da vida da criança. Segundo o órgão, a cama compartilhada aumenta em cinco vezes o risco de morte súbita, e as pesquisas não esclarecem os fatores que fazem com que crianças percam a vida. 

O alerta também considera que, nos primeiros seis meses de vida, o recém-nascido está amadurecendo o controle respiratório e sua capacidade de despertar é deprimira. Por isso, um lençol ou até um resfriado podem ser a causa de acidentes.

Ainda assim, o fato é que a maioria esmagadora das mães amamenta e dorme com os filhos. Por isso os cuidados como avaliar o uso de remédios, obesidade ou outros fatores concretos, são riscos para preservar a vida; e precisam ser dimensionados, pesados e ponderados com o mesmo cuidado.

As singularidades dos bebês que mamam no peito permitem dizer que é a mesma prática essa prática que aumenta a chance de estarem seguros: bebês alimentados com leite materno se mexem menos na cama e, com mais de seis meses, eles tendem a ficar mais próximos do corpo da mãe, o que facilita o controle para evitar quedas e outros acidentes.

A prática, conceituada como breastsleeping, estimula a própria amamentação e significa diretamente uma proteção e imunidade mais poderosas ao filho, menos riscos de infecção, doenças futuras, melhor capacidade cognitiva (habilidades verbais e sociais) e menos risco de obesidade.

Mesmo em sono profundo, o cérebro das mães conta sempre com um estado de alerta, que o mantém apto a responder a demandas do filho. E se os filhos estão na cama, quando deve-se tirá-los? Os que defendem o sono em família explicam que a cama compartilhada pode ser adotada até o momento em que estiver boa para ambas as partes: crianças e adultos, filhos e pais.